A raposa olhou para aquele rapaz bonito e com um ar frágil e percebeu imediatamente que era um Príncipe. Em volta, não havia ninguém, apenas a cor dourada do trigo e o céu azul lá em cima, numa abóbada muito suave, a perder de vista. O Príncipe não tinha vindo de carro nem desembarcado de nenhuma nave espacial, por isso a raposa achou que ele tinha caído do céu, e depois riu-se para dentro, como quem descobre um defeito um bocado parvo na sua própria personalidade, porque nada cai do céu, tudo o que se consegue na vida custa muito a ganhar e é infinitamente mais fácil perder tudo do que manter o mais importante. Mas, por outro lado, mesmo que tivesse caído do céu, se aquele rapaz tão bonito lhe tinha aparecido no caminho, alguma função iria ter na sua vida solitária e errante, sempre à procura de um abrigo que lhe servisse de casa, de um amigo que pudesse amar, de uma outra vida vivida em partilha, que já tinha lido em romances e visto em filmes, mas que nunca conhecera.
Como era muito curiosa e simpática, meteu conversa com ele.
- Quem és tu?
- Sou um Príncipe que quer conhecer o mundo. E tu?
- Sou uma raposa solitária e viajada que está farta de correr o mundo e quer encontrar uma casa.
- Eu acho-te muito bonita - arriscou o Príncipe, com um sorriso muito tímido.
- Obrigada. Eu também te acho muito belo. Um bocadinho triste, talvez.
Ficaram os dois a olhar um para o outro, partilhando um silêncio tranquilo e cheio de ideias, como só acontece entre velhos amigos. E eles já eram velhos amigos.
A raposa baixou outra vez o torso e voltou a encaixar o focinho por entre as patas. Tinha que pensar muito bem no que ia dizer a seguir, porque, como estava apaixonada, ardia ao mesmo tempo de medo e de vontade e queria fazer as coisas o melhor possível.
- Eu acho que tu podias escolher ser feliz.
- Mas eu sou feliz - respondeu o Príncipe. Eu amo o conhecimento e vivo de acordo com a minha paixão; viajar, correr o mundo, conhecer seres maravilhosos, como tu
- e, dizendo isto, sentou-se ao lado da raposa e pousou a sua mão branca e lisa no lombo dela. A raposa estremeceu das patas à cabeça. Queria guardar para sempre aquele toque, o calor da mão dele a inundá-la por dentro. Queria tornar-se num animal doméstico devoto ao seu dono. Queria mudar de vida e alcançar a outra, a sonhada e desejada, depois de tantos livros e filmes. Mas ele também tinha que querer o mesmo que ela, ou corriam o risco de ficar apenas os melhores amigos.
Então a raposa pensou, pensou e decidiu ficar calada. Tudo o que dissesse dali para a frente ia estragar o seu sonho, o momento perfeito que lhe tinha caído do céu. Sabia que queria que aquele momento se eternizasse, por isso fechou os olhos.
Tudo tem um princípio e tudo tem um fim, pensou. Mas não vou pensar no que não está nas minhas mãos. E, sem falar, enroscou-se a ele, como se fosse para sempre.
Margarida Rebelo Pinto
sábado, 13 de outubro de 2007
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Saudade
domingo, 7 de outubro de 2007
Sabor a MAR

De onde me vem este desejo de (d)escrever-te
Este desejo de sentir-te e ter-te
de olhar-te ouvir-te e ler-te
tocar-te .... enlouquecer-te
de onde me nasce este fogo de beijar-te
Esta inesgotável vontade de ficar
Este querer e não querer em turbilhão
Esta tortura esta alegria
Esta paixão
Que tinta desenhou este sentir
Que lápis traçou este destino
Que pauta guardou a melodia
Dessa voz, dessas palavras ....
............desatino
Até onde me levará esta loucura
Até onde chegará o meu olhar
Que ficará depois de nós e em nós....numa procura
Uma saudade, uma presença ou um sabor a Mar....
sábado, 6 de outubro de 2007
Na Estrada da Vida

Todos os meus caminhos levam-me sempre a mim mesma... E ainda assim, não me encontro.
É constante repetição...
Uma nova vida
Uma estrada desconhecida
Que é, entre dúvidas, percorrida
Em busca da sobrevivência e da felicidade.
É uma estrada sinuosa,
Às vezes planas, às vezes com subidas,
Que sempre antecedem às descidas,
Intercaladas de curvas perigosas...
Isso é a vida.
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